Nos bastidores do Arrábida Sinfónica

Ritmo, coordenação e concentração reinam nos últimos ensaios da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música para o concerto de hoje no nosso Centro. Fomos assistir a um e falámos com Sérgio Pacheco, chefe de naipe de trompete, que nos desvendou um pouco do que vamos poder ouvir e sentir nesta que é a 3ª edição do Arrábida Sinfónica.

Afinam-se instrumentos, tiram-se dúvidas, repetem-se melodias e desdobram-se partituras. Os ensaios para o Arrábida Sinfónica estão na reta final e mais de 50 instrumentistas da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música invadiram a Sala Suggia durante uma semana com sonoridades latinas, dançáveis e alegres. 

Na direção musical está o maestro Otto Tausk, que entre o bater do pé, o estalar dos dedos e pequenas palmas vai pedido ritmos mais longos ou mais curtos, mais força ou mais calma na intensidade das notas. Depois de passar pela orientação de orquestras em Milão, Suíça, Dinamarca, Galiza ou Canadá, o músico holândes, que começou por estudar violino, chega agora ao Porto para um concerto muito especial.

Violinos, contrabaixos, trombetas, harpa, flautas transversais, clarinetes ou bombos são apenas alguns instrumentos que vão subir hoje, pelas 22h, ao palco da Praça Exterior Norte do nosso Centro, coordenados pelas mãos de profissionais experientes, atentos e curiosos. É o caso de Sérgio Pacheco, chefe de naipe de trompete há sete anos na Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música. Herdou o gosto musical do pai, que tocava na Banda Filarmónica de Freamunde, Paços de Ferreira, de onde é natural. Aos oito anos começou a aprender música de forma amadora, mas a sua sensibilidade artística deu rapidamente nas vistas de professores e familiares. Se inicialmente os instrumentos de percussão, principalmente a bateria, faziam brilhar os seus olhos de menino, foi no trompete que faz a diferença como profissional. “É importante ter uma relação com a música cada vez mais multidisciplinar, saber cantar e tocar vários instrumentos. Essa visão abrangente é essencial.” 

Iniciou a sua formação na Escola Profissional Artística do Vale do Ave, estudou quatro anos no Royal College of Music, em Londres, e ao regressar a Portugal integrou a Orquestra Gulbenkian como primeiro trompete auxiliar. Hoje é como chefe de naipe de trompete, mais concentrado nas melodias do que nos acompanhamentos, que marca presença nas atuações deste grupo nas últimas sete temporadas. “O facto de poder trabalhar com maestros diferentes todas as semanas torna o nosso trabalho mais rico e interessante. Os repertórios, as formas de ensaiar e a interpretação corporal são distintas por isso temos que nos adaptar e ser flexíveis para que o colectivo possa tocar o melhor possível.”

É neste desafio premente que Sérgio se prepara para o concerto que protagoniza a 3ª edição do Arrábida Sinfónica, cuja dança rege um alinhamento absolutamente contagiante, com ritmos populares na primeira metade do século XX, onde obras de Maurice Ravel, Manuel de Falla e Zoltan Kodály vão certamente conquistá-lo. Do programa consta ainda uma homenagem surpresa a David Bowie, cantor que morreu em janeiro de 2016, que deixou marcas incontornáveis na música, na arte e na vida de muitos.

São muitas as razões para hoje levantar gratuitamente a sua pulseira no Balcão de Informações, no piso 0 do nosso Centro, e assistir a este momento musical único, diferente e certamente inesquecível. Contamos consigo!

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