Álvaro Costa: “Bowie era o meu GPS cultural”

Álvaro Costa é fascinado pela vida e obra de David Bowie e, à boleia da exposição “Iconic Bowie”, apresentou no nosso Centro dois livros de fotografias muito especiais. Veja aqui a entrevista exclusiva ao apresentador, locutor e comentador portuense.

Foi durante a inauguração da exposição “Iconic Bowie”, no passado dia 5 de setembro, que Álvaro Costa e o fotógrafo Hugo Lima se juntaram na Livraria Almedina, do nosso Centro, para apresentar “Bowie Unseen Portraits of an Artist as a Young Man” e “When Ziggy Played The Marquee – Signed by Terry O’Neill”, dois livros de edição limitada, à venda na nossa livraria Almedina, com fotografias inéditas do artista britânico, captadas pela lente dos fotógrafos Terry O’Neill e Gerald Fearnly. As duas obras são fundamentais nesta viagem que é conhecer Bowie e refletem dois períodos diferentes: a criação da sua personagem nos anos 1960, no lançamento do seu primeiro álbum, e a documentação do espetáculo “The 1980 Floor Show”.

Também disponíveis na livraria Almedina do nosso Centro está um kit de 8 t-shirts unissexo, produzidas em Portugal, estampadas com as imagens favoritas de Terry O’Neill, de David Bowie, onde o design foi criado com a total colaboração do artista.

Para o fotógrafo Hugo Lima, a luz, o movimento e a expressão são os três ingredientes principais e essenciais para conseguir captar uma boa fotografia de espetáculo. Se hoje tivesse oportunidade de fotografar Bowie, escolhia fazê-lo em palco, “sempre no palco”.  “A sua figura preenchia-me pela sua versatilidade e imprevisibilidade”.

Já Álvaro Costa apaixonou-se por David Bowie em 1973, quando o ouviu pela primeira vez na rádio. “Foi amor à primeira música”. O locutor portuense diz mesmo que o cantor britânico era o seu “GPS cultural”, trouxe-lhe um universo cultural, estético e visual na era pré internet. “Não seria a mesma pessoa se Bowie não existisse. Ele tinha uma loucura existencial que salvou a humanidade”. Pelo menos salvou Álvaro Costa. Numa fase em que era “um jovem freak e insurreto”, que pintava os olhos e se vestia de uma forma diferente e arrojada, o artista britânico foi uma verdadeira libertação, ao mostrar-lhe que não era a única pessoa a ser assim. “O meu lado freak afinal tinha uma justificação”, afirma. 

Durante a sua carreira, Álvaro entrevistou-o seis vezes, uma delas no Porto, em 1998, para a rádio e partilhou o áudio com a plateia durante a apresentação. Nesta conversa, Bowie falou de coisas que hoje são completamente atuais, com um sentido de humor tipicamente britânico, revelando-se um homem inteligente, irreverente e muito à frente do seu tempo. 

Para a sua geração, este não é o Bowie dos anos 1980 e 1990, do “Let’s Dance”, era um Bowie pintor – sim, o artista era um apaixonado por artes plásticas – e um homem que tinha várias fases. “E eu também tenho fases, como ele. Há alturas em que o meu disco favorito é o ‘Heroes’, outras que é o ‘Outside’, ou o ‘Diamond Dogs’”. 

Álvaro observa-o para lá da ótica visual e artística: “era um homem com uma profundidade, densidade e vontade de partilhar tudo o que sabia”, explica. E Álvaro sabe do que fala. Afinal, guarda religiosamente mais de 200 discos e dezenas de livros em casa sobre o cantor, sem nunca o deixar de o estudar e entender melhor. O locutor, apresentador  e comentador portuense regressa ao nosso Centro, dia 21 de outubro, para apresentar a sessão de cinema de “The Last Temptation of Christ”, de Martin Scorsese (1988), na sala UCI. 

Até lá, visite a exposição “Iconic Bowie” gratuitamente na Praça Central, segunda a domingo, das 9h às 23h, e sextas e sábados, das 9h às 24h. 

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