Educação: Michael Moore põe o dedo na ferida

Por mais voltas que dê há coisas que não compreendo. Exemplos de sucesso noutros pontos do globo que teimam em não ser replicados cá, é uma delas. Desde que tenho filhos que existem temas para os quais olho, inevitavelmente, de forma mais atenta e, sobretudo, crítica. A educação é um deles. E devo confessar que é com grande angústia que observo em Portugal um sistema de ensino no qual não me identifico. Um ensino onde as crianças passam horas infindáveis na escola, deixando pouco tempo para a família ou outras atividades igualmente determinantes para a formação, como desporto, música ou civismo não faria parte dos desejos para os meus filhos. Assemelho esta esquizofrenia àquela postura profissional onde o patronato continua a considerar que mais horas enfiados no escritório significa maior produtividade. Really? Continuam mesmo a acreditar nisso? Não? Porque continua a flexibilidade de horário e o trabalho à distância escassamente aplicado? (isto daria outro post…)

As crianças de hoje são literalmente os futuros adultos de amanhã e que jovens estamos nós a educar?

Pequenos robots treinados e formatados para assimilar e executar, preferencialmente, sem qualquer sentido crítico, entenda-se, sem levantar ondas? “Bora lá ditar matérias em modo speed que o programa tem de ficar completo até ao verão”. Trabalhos de casa com fartura porque o que é dito e repetido durante a aula é insuficiente e há que assimilar bem os conteúdos.

Agora parem. Respirem. Imaginem uma escola de apenas 20 horas semanais, num ensino que não contempla trabalhos de casa, mas antes brincadeira e muito tempo livre para ser apenas criança. Onde sobra tempo para aprender algum ofício de que se goste ou, simplesmente, relaxar e deixar o cérebro processar o que aprendeu. Uma escola onde não existe distinção entre pública ou privada porque simplesmente não faz sentido, porque todas são equivalentes, independentemente da zona do País ou da carteira dos pais. Mais, uma escola onde os arquitetos são chamados para briefings com as crianças sempre que é necessário reabilitar recreios. E, sobretudo, uma escola onde o grande objetivo é ensiná-las a serem felizes.

Não precisam de imaginar mais. Estas escolas existem e Michael Moore – que já nos habitou a documentários polémicos que metem o o dedo na ferida – faz questão de as mostrar ao mundo. EmWhere to invade next compara o sistema de ensino na Finlândia e o dos Estados Unidos. Escusado será dizer que a mesma comparação seria pertinente em terras lusas. Aqui fica um excerto.

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